domingo, 2 de setembro de 2018

O Operário


                     Maria Isabel Raenke Ertel

Tão perto da praça Olga Benário!
Dorme triste um operário
Prisioneiro das elites
Veja só que coisa triste!
A classe trabalhadora resiste.
Acampa em vigília
Em vigília "Lula Livre":
Livre da fome, da miséria,
Da exploração e estagnação social
Livre da politica neoliberal.
Livre da "justiça" do Judiciário
Que condenou o metalúrgico operário
Ao mausoléu da prisão.
Livre do noticiário da Rede Globo
Que hipnotiza, deforma
E fragiliza a consciência do povo.




Estéreis para o amor

                    Maria Isabel Raenke Ertel

Quem de nós,
Efêmeros seres humanos
Que discretamente
Não tenha sobrevivido
Àqueles dias em tons de cinza.
Dia de colecionar lágrimas
E não entender
O verdadeiro motivo
Que as fazem rolar.
Dias em que a vida e o viver
Já não fazem simbiose.
São dias de existência árida
De inútil aridez da alma
Estéreis para o amor.
É a vida no fosso do seu inverno
Buscando aconchego
No marsúpio da solidão
São dias gélidos e infinitos
Nos exilamos da vida
E sem vontade de voltar
Buscamos asilo
Na Sibéria do próprio esquecimento

Rua do Silêncio

                      Maria Isabel Raenke Ertel

No lugar onde vivo
Existe uma rua encantada
Até desperta nostalgia
As folhas secas na calçada.
O silencio dessa rua
É coisa impressionante
Bem ao centro da cidade
E se parece tão distante
Seus jardins guardam segredos
Que as flores sabem contar
Segredos que a alma tece
E o coração não esquece
A hora de revelar.
Pois ali, ainda existe
Um bosque pequenininho
Berçário dos passarinhos
Que por lá revoam em festa
E a cidade pode ouvir.
As cantigas da floresta.
O silencio guarda a noite
Serena como o luar
A rua adormecida
Parece não despertar
Para os rumores da vida
Que as vezes cruzam por lá

Acordes da Saudade!

                    Maria Isabel Raenke Ertel 

Na tela das coisas belas da vida
Pudera eu pintar
A aurora de cada manhã
Os raios de sol que chegam sem avisar
E Fazem o milagre da vida acontecer
As minúsculas gotas de orvalho
Que carinhosamente banharam a relva
O encantamento das noites de verão
O movimento das ondas do mar
Embalando a luz da lua
E dos dias frios de inverno
Os tons de cinza gélidos;
Os mantos da névoa
Que encobrem a dor do tempo
Os flocos de neve;
Que bailam a vala da solidão
A fina camada de geada;
Que cobre o verde
Adormecendo o ciclo da vida
No despertar da primavera
O perfume das flores silvestres
Que tão simples se vestem
Aos olhos dos jardins artificias
Levaria comido
Os acordes do tempo;
A cantoria do pássaros;
A sinfonia das águas;
A brisa vespertina
Do crepúsculo que divide
O meu dia, da minha noite
Estampados na tela
Da minha saudade

As vestes da morte

                    Maria Isabel Raenke Ertel

Como é triste saber
Que todas elas
E tantas outras
Foram vitimas do crime
Maria, Lucia Teresinha,
Mariele e Francine
Tiveram tão pouca sorte.
Encontraram com a morte
Revestida de crueldade
Do medo e da indiferença
Do não sei! do não vi!
E tenho raiva de quem sabe!
As vestes da morte
Se encondem atras da capa
Dos bandidos e psicoatas
Que fazem parte do mundo
As vestes da morte
Moram na casa da estupidez
Daqueles que te roubam a vida
Na mais tenra idade.
As vestes da morte
são peças básicas
Do vestuário;
Do mortuario
De dor e do sofrimento
Cuidado!!!
Maria, Lucia Teresinha,
Mariele e Francines
As vestes da morte
Estão soltas por ai.
E sempre tem um psicopata
Disposto a nos fazer vestir

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Arquiteto da vida
O velho comunista
Era cheio de imaginação
Conseguiu projetar Brasília
Feito asas de avião.

Era arquiteto da vida
Do sonho e do concreto
Dobrando o ferro e aço
Subliminou pelo espaço
Fez do concreto armado
Um amigo um aliado
A voar para todo lado.

Nas obras do seu projeto
Houve até quem criticou
Mas as colunas da Alvorada
O mundo inteiro copiou.


Arquiteto da fantasia
Imodesto em demasia
Guardou em sua gaveta
O projeto monumental
Da Praça da Cidadania.

Desenhou no Belo Horizonte
A Pampulha em curvilíneo
Não se perdeu no passado.
Viveu o Presente com fascínio.

No meio do improviso
Fez tudo o que era preciso
Sobre a terra vazia
E cheia de poeira
Nasciam de sua prancheta
As ideias que cobriam
A capital brasileira.

Sabendo que a vida era efêmera
Preferiu ser ateu
E talvez agora durma
Sobre a arquitetura celestial
O arquiteto de Brasília

De ideias sem igual.
Kiss II
Quanta vida
Quanta alegria
Na penumbra
Das chamas
E da fumaça
Se perdia         
Quanta dor
Quanta agonia
Quanta perda
Que angustia,
Veio do fogo
Das chamas
Da fumaça
Da desgraça
Da tristeza que não passa
Da Kiss
Que asfixia
O sonho de ter de novo

Quem um dia sorria.